O REGIMENTALISMO NA MODERNIDADE

 

Aimone Camardella

 

 

          Em toda época houve uma literatura regimental, onde não só a clássica gramática se impunha como também a pedagogia e a didática, e os conceitos poéticos obedeciam a regras pré-estabelecidas, talvez chamadas de “sagradas” pela sociedade convencional da época.

 

          Os inúmeros exemplos aí estão para comprovar esses ditos da vernaculidade tradicional, obedecida religiosamente pelos literatos, linguísticos e educadores de um modo geral, procurando transmitir a forma raciona, e, pode-se até dizer, honesta, suas obras que não se perdem através do tempo.

 

          Citam-se, por exemplo, Camões, Machado de Assis, Euclides da Cunha, Olavo Bilac e tantos outros.

 

          Na arte poética, porém, é que se ressalta este regimentalismo inconteste, em que há uma nítida linha de separando a poesia da prosa, deixando para cada uma seus espaços bem delineados como mantos sagrados de suas investiduras.

 

          A poesia clássica, tradicional, sem dúvida, com sua métrica e sua rima, sempre presentes, caracterizam bem estes espaços, dando, aos seus autores, o lugar que eles merecem, porque é notório que não é fácil manter estas regras literárias.

 

          Parece, no entanto, que, modernamente, o conceito de “globalização” veio transcender todos aqueles espaços bem delimitados pela tradição e respeito ao regimentalismo.

 

          Os “versos soltos”, a “linguagem chula”, o emprego indiscriminados dos chamados, o apelo aos temas “maquiavélicos” e “pornográficos”, por exemplo, parecem tomar conta de um público, infelizmente, cada vez mais desprovido de conhecimentos, que, talvez, pudessem melhor serem chamados de “internéticos”, pelo uso exagerado desta forma tecnológica atual da Informática.

 

          A leitura livresca deixou de ser a meta principal da juventude, pois suas atenções estão voltadas para o “Orkut”, o “vídeo game” e tantos outros artifícios modernos que lhe tomam grande parte do dia e da noite.

 

          Na realidade, não sabemos mais distinguir o “certo” do “errado”, pois tudo, de uma forma ou de outra, cocorre para difundir conhecimentos. Mas, que tipo de conhecimento?

 

          Parece-nos que esse tipo moderno de conhecimento foge às regras de um regimentalismo sadio, deixando espaços vazios difíceis de serem preenchidos!

 

          Não é nossa intenção combater o desenvolvimento, mas, sem dúvida, é preciso muito cuidado, pois a literatura, ao lado da ciência e da tecnologia, vem também tendendo a se modificar na modernidade.

 

          Isto é conveniente? Até que ponto? Parece que ainda pairam no ar grandes dúvidas para se fazer alguma consideração mais justa sobre o assunto! Queira Deus que esta “globalização”, como atualmente adotada, não venha modificar os conceitos de etnias, de comportamentos específicos, de tratamentos dos modos de “viver e conviver”, o que, lamentavelmente, já se nota nas próprias Famílias, com repercussão na juventude atual.