DEPOIS DO ADVENTO DO NATAL

 

Aimone Camardella

 

        Os Sinos Sagrados soaram durante quatro adventos, comemorando o latejar da passagem em memória do CRIADOR. Muitas festas, homenageando e simbolizando o nascimento DAQUELE que veio para nos salvar, tomaram conta do povo, deixando um pouco de lado o sentimento espiritual, numa euforia de troca de presentes e lautos banquetes familiares. De fato, este movimento, muitas vezes, transcende os objetivos fundamentais, qual seja o de venerar o nascimento do FILHO DE DEUS mais com o pensamento do que, propriamente, com coisas materiais que oneram as transações comerciais de forma inaudita. Mas, mesmo assim, há de se convir que o espírito da cristandade ainda permaneça vivo, fazendo ressaltar o coração e a mente de muitos seres humanos que ainda acreditam num PODER SUPERIOR.

 

Agora é tempo de absorvermos toda esta Lição Sagrada para criarmos mais ambientes de união nesta sociedade, tão perturbada por tantos incongruentes fatos, que deixam a nossa mente tão cheia de preocupações e apreensões.

 

Como podemos tramitar pelos cursos da vida se, a cada instante, esbarramos com notícias, fatos e atitudes de nossos semelhantes na ânsia de prepotência, egoísmo, vaidade, maldade intrínseca, falta de pudor, onde a imprensa, falada e escrita, se expõe com as mais desairosas reportagens, que penetram de forma contundente, nas mentes menos preparadas, deixando rastros de euforia negativa, que leva, muitas vezes, a um auge de insolvência da própria Cidadania?

 

Tudo que foi dito acima não significa que estejamos condenando a tecnologia da informática, porque esta tem o privilégio de aumentar as nossas disponibilidades e o nosso conforto em todos os setores de atividade. Com o celular, por exemplo, o mundo se tornou um condomínio permitindo facilmente as interligações e o desenvolvimento de práticas industriais, comerciais etc., e com uma velocidade como nunca houvera antes.

 

Vivemos na era da Internet, desde o ambiente familiar até o escolar, onde a aprendizagem é pautada em pesquisa nesse meio da informática, deixando o livro, muitas vezes, de lado. Praticamente, já entramos na fase da robótica, aonde a automação vem tomando o lugar do trabalho braçal.

 

Realmente, o mundo está mudando e, cada vez mais rapidamente. Como será o futuro? É uma pergunta que, às vezes, nos assusta por mais ciência e tecnologia que tenhamos, pois as mudanças climáticas vêm-se pronunciando aceleradamente, afetando o meio ambiente, apesar dos “cuidados” que se pretende introduzir no funcionamento da sociedade como-um-todo.

 

A tecnologia avançada e a superpopulação aumentam o “desperdício” e o consumo das reservas animais e vegetais, trazendo sérios problemas ao aquecimento global.

 

As cidades vão ocupando espaços de terrenos plantados ou com outros tipos de vegetação, fornecendo, de alguma forma, o oxigênio indispensável aos seres humanos. A concentração de grandes construções, em lugares distantes, exige meios de transporte cada vez mais sofisticados, e também carros particulares, como veículos pessoais, em número cada vez maior, que, sem dúvida, congestionam o fluxo dos transportes, principalmente em determinados horários, quando o trânsito se torna caótico.

 

De fato, o mundo está mudando, principalmente em relação ao valor social da humanidade, onde a juventude, por exemplo, se torna cada vez mais independente. O trabalho fora do lar, dos membros da família, como a mãe e o pai, deixam muitas lacunas, aumentando a individualidade em lugar da solidariedade familiar.

 

Muitos e muitos adventos já se passaram, mas este do último ano, sem dúvida, é sui-generis, pois ele antecede a uma era de grandes transformações do mundo sob vários aspectos, como foi visto, levando-nos a pensar sobre o futuro que nos espera, ou para as próximas gerações. Acreditamos que a inteligência humana há de superar muitas fases perigosas. Pena que a geração atual não se comprometa, com mais fidelidade, ao sentimento cristão, que ela o faz com tantas festas e homenagens, simplesmente materiais, envolvendo política, educação e segurança, que são, praticamente, os alicerces de uma governança sadia e indispensável para o povo.

 

Esperamos que o Advento do último Natal tenha deixado muitos ingredientes necessários para o Bem do nosso querido País.

 

28 de dezembro de 2013